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18 de Março de 2025 às 17:20

Trabalhadores e estudantes se unem contra juros altos em frente à sede do Banco Central


Bancários de Brasília em frente à sede do Banco Central

Os bancários participaram nesta terça-feira 18 das manifestações contra os juros altos realizadas em frente aos prédios do Banco Central nas capitais onde está presente. O Sindicato dos Bancários de Brasília participou dos protestos ao lado de outras entidades exigindo a redução das taxas de juros e pressionando a direção do Banco Central para que altere a política econômica que mantém os juros altos.

Participaram da mobilização em Brasília, que também ocorreu em outras cidades e capitais brasileiras, mais de uma centena de pessoas, que se revezaram em falas denunciando a traição aos interesses do povo brasileiro e ao Brasil representada pelos juros altos, que poderão subir mais ainda na próxima reunião do Copom nesta quarta-feira (19).

O diretor da Federação dos Trabalhadores das Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) Edmilson Lacerda afirmou que “não dá para entender os dirigentes do Banco Central indicados pelo governo do presidente Lula não estarem contribuindo para o crescimento econômico do país ao manterem essa política de juros altos. Como explicar o Banco Central estar na contramão da política econômica do Governo Federal?”

“O que faz a economia crescer é a demanda, o consumo aumenta a produção e os serviços, levando a ter juros mais baixos. Com isso, os empresários buscarão recursos para aumentar a produção e seus ganhos”, acrescentou Girolano Biando, também diretor da Fetec-CUT/CN. “É uma falácia o que a mídia faz ao dizer que a inflação cresce pelo consumo. A mídia trabalha contra os interesses do país e do povo brasileiro”.

Washington Henrique, dirigente da Federação, reforçou que “estamos protestando em todo o Brasil pedindo juros baixos e uma maior atenção ao país. É preciso que parlamentares e o governo enfrentem a alta do dólar e as taxas altas que impedem que o Brasil cresça”.

O presidente do Sintraf-Ride e diretor da Fetec-CUT/CN, Amarildo Carvalho, ressaltou que “é preciso parar de falar apenas para convertidos, temos que fazer trabalho de formação de base, do povo e das comunidades, ocupar novamente o espaço junto aos trabalhadores para fortalecer a luta, a política sindical”. “A solução está na mobilização do povo”, disse.

Falácia da inflação pelo consumo

Apesar de não ser um país desenvolvido e enfrentar desafios para superar a desigualdade social, o Brasil é considerado um país caro para se viver e, isso, devido aos juros altos, que estão entre os mais caros do mundo.

"É importante que as pessoas entendam que se hoje você compra um carro financiado e acaba pagando por dois, três carros, ainda que leve pra casa apenas um, é por causa dos juros abusivos praticados pelo sistema bancário. Mas, esses altos juros são induzidos pela taxa Selic, estabelecida pelo Banco Central, por meio do Copom", explica a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.

Selic é o nome oficial para a taxa básica de juros do Brasil, determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para reavaliar o índice. Há pelo menos dois anos a entidade mantém a Selic com mais de dois dígitos, o que coloca o Brasil em segundo lugar no ranking mundial de juros reais (a diferença entre a taxa Selic e a inflação projetada).

"A Selic impacta nos juros cobrados em todo o sistema financeiro. Então, perceba, ao mesmo tempo que o Brasil tem hoje a segunda maior taxa de juros reais é também o segundo país com a maior taxa nos empréstimos bancários, em comparação com os países emergentes e da América Latina", destaca o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção.

Atualmente, a taxa básica de juros do Brasil está em 13,25% ao ano. Assim, descontando a inflação, o juro real do país está em torno de 9,18%, perdendo apenas para a Argentina, onde o índice está em cerca de 9,36%.  

"Por isso, financiar no Brasil é tão caro! E essa situação faz com que tudo fique mais caro para o nosso bolso, afinal, todo mundo que produz e compra depende do sistema financeiro e é impactado com o custo alto do crédito e que acaba sendo repassado para os produtos, como os alimentos", completa Assumpção.

BC refém do mercado

A expectativa sobre o resultado da reunião do Copom, que será concluída amanhã (19), é de aumento de 1%, o que resultará em uma Selic de 14,25%.

“O Banco Central deveria ter responsabilidade para com a população, com a qualidade de vida, com o crescimento do país. Mas, não é isso que vem acontecendo. Quando os membros do Copom divulgam, em ata, que aumentam os juros por orientação do mercado, revelam que não existe autonomia, mas sim que são reféns de um pequeno grupo, do mercado, e que diz que é preciso controlar a inflação, porém essa inflação não é causada pela demanda, ou seja, pelo consumo exagerado da população, mas por fatores externos que deveriam ser resolvidos de outras formas e não sacrificando nosso poder de compra", explicou Juvandia Moreira.

-JUROS, + EDUCAÇÃO

Os protestos contra a política monetária do Banco Central foram realizados em várias capitais e organizados pelas centrais sindicais. Em São Paulo, onde os atos ocorreram na Av. Paulista, movimentos sociais estudantis aderiram às manifestações, com cartazes chamando a atenção de quem passava sobre a importância do debate. Uma das mensagens era: “Juros: a camisa de força do Brasil”.

“O que esperávamos dessa convocatória das centrais sindicais era mais uma manifestação contrária à perspectiva do Banco Central em aumentar ainda mais a taxa básica de juros. E qual a boa surpresa encontrada? A participação, em grande número, de jovens estudantes, engrossando o protesto, entoando palavras de ordem contra a política monetária da entidade que insiste em seguir de forma totalmente descolada da realidade do povo trabalhador, da realidade de milhares de jovens estudantes que também são afetados pela alta taxa de juros”, observa o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, que esteve na manifestação.

"O que o Banco Central vem praticando [em termos de política monetária] é contrário à política do governo, que quer a redução de juros. E isso porque influencia em tudo, na compra de imóveis, no crédito, no financiamento estudantil, pra faculdade, enfim, em tudo na vida do trabalhador", destaca o secretário de Cultura da Contraf-CUT, Carlos Damarindo, que também esteve nas ruas. "Apesar de o nível de emprego estar aumentando no Brasil, os juros também estão. Ou seja, se por um lado o aumento do emprego é importante para que o trabalhador sane suas dívidas, pague seus compromissos, por outro lado, tem esses juros altíssimos que impossibilita a nossa vida", completa.

A seguir, imagens de protestos em algumas capitais:

São Paulo
Juros Baixos Já!

Rio de Janeiro
Juros Baixos Já!

Juros Baixos Já!

Curitiba
Juros Baixos Já!

Minas Gerais
Juros Baixos Já!

Pernambuco
Juros Baixos Já!

Brasília 
Juros Baixos Já!

 

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