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10 de Setembro de 2021 às 08:09

Pedro Guimarães terá de explicar inverdades sobre lucro da Caixa nas gestões de Lula e Bolsonaro


Por determinação da 10ª Vara Cível de Brasília, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, terá de se retratar judicialmente sobre declarações inverídicas referentes aos lucros do banco em 2020, anunciadas por ele e por Jair Bolsonaro. A decisão foi proferida na semana passada pela juíza substituta Monike Machado, atendendo uma interpelação proposta pela deputada Erika Kokay (PT-DF) em agosto.

De acordo com a deputada, durante o aniversário da Caixa, em janeiro, Guimarães afirmou que, em 2020, a instituição teve o maior lucro líquido de sua história, bem como o recorde de rentabilidade no ano anterior. Quatro meses depois, Bolsonaro fez coro, ao dizer que o banco só gerou prejuízos entre os anos de 2002 e 2010, durante o governo Lula.

No entanto, com base em estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), encomendado pela Fenae, Kokay demonstrou à Justiça que as declarações são inverídicas e que a Caixa teve lucros maiores sob Lula do que Bolsonaro, e não rendeu só prejuízos anteriormente.

Segundo dados do Dieese, o lucro da Caixa na gestão de Bolsonaro, descontados os 60% que foram obtidos através de venda de ativos, alcançam pífios R$ 21,06 bilhões, ou seja, próximo da metade do obtido na gestão do ex-presidente Lula.

Como destaca o economista Sérgio Lisboa: “do lucro de R$ 22 bilhões (em 2019), aproximadamente R$ 15 bilhões são referentes à venda de ativos que a Caixa tinha, a exemplo de ações da Petrobras, do IRB [Instituto de Resseguros do Brasil] e do Banco Pan, entre outras. Dos R$ 13,1 bilhões restantes, tecnicamente considerados como lucro líquido registrado pelo banco em 2020, R$ 5,9 bilhões foram resultado de recursos oriundos da Caixa Seguridade, que está em processo de privatização. Assim, o que se observa é que os resultados não vieram da atividade bancária, mas da venda de parte do banco público, bem como da redução do papel social da Caixa”.

“As declarações inverídicas que o Pedro Guimarães tem feito são para tentar dizer que o governo genocida é bom. Isso só reforça nossas denúncias de uso da Caixa em campanha eleitoral antecipada. O fato é que essa gestão está é fatiando o banco público”, enfatiza a secretária-geral do Sindicato, Fabiana Uehara, que também é coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).

“Marketeiro turista”

Em artigo publicado em março, as diretoras do Sindicato e empregadas da Caixa Rafaella Gomes e Leny Valadão comentam que o resultado alcançado de R$ 13,2 bilhões, em 2020, é bem significativo, porém questionam: “Mas por que recebemos com clima de decepção?”

As diretoras lembraram que, em 12 de janeiro, dia em que a Caixa completou 160 anos, “Pedro Guimarães levianamente lançou a expectativa de ‘lucro recorde’. Uma conta fácil de fazer, se o maior lucro da história do banco foi em 2019 de R$ 21,1 bilhões, esse ano deveria superá-lo. Então perguntamos, onde estão os bilhões que faltam no resultado?”

Para Rafaella e Leny a resposta é que “de forma irresponsável e sem considerar nada mais que o próprio ego, novamente, Guimarães criou uma ilusão, como faz repetidamente. Ao se focar no marketing pessoal, ele esquece de ressaltar para a sociedade a relevância que a Caixa 100% pública tem para o fomento de políticas públicas na esperança de assim não receba resistência enquanto a vende aos pedaços. Quanto desse lucro foi obtido às custas da venda de ativos? Como os R$ 7 bilhões recebidos em 30 de dezembro pelo acordo com a CNP Assurances para explorar com exclusividade por 25 anos os produtos de seguro e previdência distribuídos na empresa”.

E concluem o artigo: “Pedro Guimarães não é a Caixa, é apenas um marketeiro turista quer ganhar a fama em cima da luta dos trabalhadores”.

Da Redação


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