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18 de Dezembro de 2020 às 09:29

Fetec-CUT/CN conclui curso de formação sobre ‘A Elite do Atraso’ com palestra de Jessé Souza

'Fiz o livro para armar a inteligência e desmontar a mentira que se conta sobre o Brasil. A verdadeira corrupção se dá no roubo da elite proprietária', diz o sociólogo


A Secretaria de Formação da Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN) encerrou nesta quinta-feira 17 de dezembro o terceiro curso de formação, com uma aula proferida pelo sociólogo Jessé Souza, autor do livro "A Elite do Atraso - Da escravidão a Bolsonaro",  a obra de estudo durante o curso. Participaram do curso, iniciado em 16 de julho, dirigentes de quase todos os sindicatos filiados à F Fetec-CUT/CN.

“É uma alegria pra mim saber que os dirigentes sindicais estão lendo meu livro, que foi feito para combater o discurso elitista que existe no Brasil da classe média branca, que é de combater a corrupção de forma seletiva, por meio de um processo de escandalização que vem acontecendo desde a era de Getúlio Vargas”, disse Jessé de Souza na abertura da aula, proferida a partir de Berlim, na Alemanha, onde se encontra em compromisso acadêmico.

“A verdadeira corrupção se dá no roubo da elite proprietária, que são 200 mil pessoas no Brasil. A formação história da elite brasileira passa pelo assassinado do posseiro e vai até o Judiciário, que legaliza o assalto invisível da população. Ninguém vê, não denuncia porque é um roubo legalizado, como a dívida pública, a venda dos bens públicos. Ninguém pensa que é roubo”, ensinou o sociólogo.

Ele continuou: “Esse é um moralismo canalha da elite, mentiroso, que inventa bode expiatório, criminaliza o Estado e a ação política. É um projeto político, montado por intelectuais, abraçado até pela esquerda. Toda essa história de patrimonialismo. O povo não sabe que seu inimigo é a elite que saqueia o estado”.

“Fiz o livro para mostrar o contrário, mostrar como vem da escravidão a criação da ralé. A escravidão continua sendo reproduzida, sob formas modernas. O desprezo ao povo. Escravidão não é só raça. É de classe também. Que não tem a ver só com o econômico. Começa pela família, pelo lugar onde as pessoas nascem, se você tem educação ou não, se tem acesso aos melhores postos do mercado de trabalho por influência familiar ou de classe”, criticou Jessé.

O sociólogo concluiu: “É mentira que a classe média fica escandalizada com a corrupção. Esse moralismo idiota mascara a realidade. A esquerda tem que descontruir isso. Quis fazer o livro para armar a inteligência, desmontar a mentira que se conta sobre o Brasil. O objetivo final é criminalizar a soberania popular. É muito importante saber quem é o inimigo. O discurso moralista distorce quem é o inimigo”.

‘Reflexões profundas sobre nossa história’

“Quero agradecer a presença do grande sociólogo Jessé Souza e também dos companheiros e companheiras que participaram do curso, que é um projeto adaptado para a grandiosidade geográfica da nossa Federação. Optamos por fazer esse curso de formação de forma virtual muito antes do início da pandemia. É uma formação essencial para a nossa luta”, afirmou o presidente da Fetec-CUT, Cleiton dos Santos, na abertura da aula.

“Estudamos o livro, debatemos a cada 15 dias um capítulo do livro. Temos o prazer de receber hoje aqui, e quero agradecer muito por isso, a presença do Jessé Souza, autor do livro que nos leva a reflexões profundas sobre a história e da realidade do povo brasileiro”, saudou José Wilson, secretário de Formação da Fetec-CUT/CN.

“A Federação vem consolidando sua política de formação dos dirigentes sindicais. Esse curso sobre o livro do Jessé Souza é mais uma iniciativa nesse sentido da Secretaria de Formação”, acrescentou José Wilson.

Para o coordenador pedagógico dos cursos de formação da Fetec-CUT/CN, Jeter Gomes, eles têm sido de grande aprendizado coletivo. “Além dos conteúdos das obras estudadas, cada um aporta nas atividades o seu conhecimento acumulado, sua experiência de vida, de luta e de militância sindical e política. Nos dizeres de Paulo Freire, todos aprendemos em comunhão. Também como afirma o grande mestre, somos seres incompletos e por isso aprendemos por toda a vida, desde o nascimento até a morte”.

“Mas o objetivo principal que almejamos com os cursos é aumentar nosso conhecimento para que isso possa melhorar nossa prática sindical, numa relação dialética entre teoria e ação concreta, a práxis, pois entendemos que só essa combinação pode modificar a realidade concreta d@s bancári@s, d@s trabalhadore(a)s em geral e do Brasil”, conclui Jeter.

Saiba mais aqui sobre o sociólogo Jessé Souza e seu livro.


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