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8 de Setembro de 2015 às 15:28

08/09/2015 - Bancários negociam nesta quarta igualdade de oportunidades com Fenaban


Crédito: Fetec-CUT/CN 
 
O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e que tem a participação da Federação Centro Norte (Fetec-CUT/CN), realiza com a Fenaban nesta quarta-feira 9, em São Paulo, a terceira rodada de negociação da Campanha 2015, focada no tema igualdade de oportunidades.

“Apesar dos avanços que conquistamos nos últimos anos, persiste dentro dos bancos uma grande discriminação contra as mulheres, contra os negros, contra os homoafetivos e contra as pessoas com deficiência. Precisamos acabar com essas injustiças, que se refletem principalmente na diferença de remuneração”, afirma José Avelino, presidente da Fetec-CUT/CN e integrante do Comando Nacional.

As discriminações foram confirmadas pelo II Censo da Diversidade, conquista da Campanha Nacional dos Bancários de 2013, cujos dados foram publicados em novembro de 2014. Houve avanços em relação ao I Censo, realizado em 2008, mas ainda insuficientes.

Por isso o Comando Nacional insistirá no fortalecimento da Comissão Bipartite de Igualdade de Oportunidades, com o objetivo de desenvolver propostas de orientação a empregados, gestores e empregadores no sentido de prevenir eventuais distorções que levem a atos e posturas discriminatórias nos ambientes de trabalho e na sociedade de forma geral. A Comissão trabalhará com as premissas apontadas nos Programas Febraban de Valorização da Diversidade no Setor Bancário e de Capacitação Profissional e Inclusão Social de Pessoas com Deficiência do Setor Bancário,

A Comissão Bipartite, reivindicam os representantes dos bancários, deverá realizar reuniões trimestrais para acompanhamento dos programas.

 

No ritmo atual, as mulheres levarão 88 anos para ganhar o mesmo que os homens

As mulheres continuam subrepresentadas no sistema financeiro em comparação com a PEA (População Economicamente Ativa). Maioria na sociedade brasileira, as mulheres representam 48,3% da força de trabalho no país, segundo a última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE. Nos bancos, elas somam 43,3%, de acordo com o II Censo da Diversidade.

Em relação aos salários, a diferença entre à remuneração média de mulheres e homens teve pequena redução no sistema financeiro, quando se compara os Censos de 2008 e 2014. No I Censo da Diversidade, as bancárias recebiam remunerações médias equivalentes a 76,4% das remunerações médias auferidas pelos homens nos bancos.

Em 2014, essa relação passou a ser equivalente a 77,9%, demonstrando avanço de 1,5 ponto percentual em seis anos. Se mantido o ritmo de aproximação de salários entre homens e mulheres nos bancos, a equiparação salarial entre os sexos levará 88 anos para se completar.

 

Relação entre remuneração média de mulheres e homens nos bancos, por região natural  - I e II Censo da Diversidade - 2008 - 2014

 

 

Discriminação dos negros começa já no acesso

Um dos primeiros pontos positivos apresentados na publicação dos dados do II Censo da Diversidade foi o aumento da participação de negros - soma dos que se autodeclararam pretos ou pardos - para 24,7% em 2014, contra 19,0% no I Censo. Compare nos quadros.

 

 

“Mas a participação da população negra no sistema financeiro é ainda tremendamente desproporcional em relação à economia como um todo. Os negros são 52,4% da força de trabalho no Brasil, mas apenas 19% nos bancos”, critica José Avelino, que também é diretor do Sindicato de Brasília.

 

Negros ganham 87% dos salários dos brancos

A diferença de remuneração entre brancos e negros apresentou pequena redução. Em 2008, a remuneração média dos negros representava 84,1% da auferida pelos brancos, relação que passou para 87,3% em 2014. A região com maior distância de remuneração entre negros e brancos é a sudeste, onde negros recebem remuneração média 18,8% inferior à dos brancos. Veja no quadro.

Relação entre remuneração média de negros e brancos nos bancos, por região natural - I e II Censo da Diversidade - 2008 - 2014

 

Fonte: FEBRABAN Censo da Diversidade (2008 e 2014)

 

No caso das mulheres negras, que sofrem dupla discriminação, a diferença de remuneração em relação aos homens brancos é maior ainda, alcançando 31,8%. Infelizmente, o II Censo da Diversidade não revelou o número de mulheres pretas e pardas nos bancos em 2014.

  

 Fonte: FEBRABAN Censo da Diversidade (2008 e 2014)

 

A discriminação na ascensão profissional

A distribuição dos cargos revela que, quando obtém emprego no banco, mulheres e negros têm restrição ao acesso a cargos de supervisão, gerência e diretoria. Conforme a progressão na carreira, há a diminuição da participação de mulheres nos cargos. Para negros, o afunilamento da participação é ainda mais intenso, chegando a atingir uma participação de apenas 4,8% nos cargos de diretoria.

Os dados de movimentação na carreira também são reveladores. Entre as mulheres, apenas 19,9% apresentam mais de três movimentações na carreira. Para os homens esse número sobe para 31,7%.

Entre os que se autodeclaram pretos, 52,0% nunca foram promovidos ou tiveram apenas uma promoção, enquanto os pretos com três ou mais movimentações na carreira somam apenas 31,4% do total. Entre os brancos, o número de promovidos três vezes ou mais é de 42,4%.

           

 

Orientação sexual incluída pela primeira vez no Censo

A grande conquista do II Censo da Diversidade (2014) foi a inclusão de questões sobre a orientação sexual e identidade de gênero aos bancários. A categoria respondeu positivamente à possibilidade de reflexão sobre o tema.

Os bancos têm um discurso de respeito e promoção da diversidade, mas na realidade os banqueiros fazem muito pouco ou quase nada para inserir a população LGBT no sistema financeiro.

A questão sobre orientação sexual foi respondida por 87,6% do universo de bancários que participaram da pesquisa. Uma parcela pequena de bancários optou por pular a pergunta, mesmo ela não sendo obrigatória.

Entre as mulheres 1,0% declarou ser homossexual, 0,4% bissexual 0,1% optou por “outra”. As mulheres heterossexuais representam 85,3% dos respondentes. Entre os homens, 2,8% se declararam homossexual, 0,8% bissexual e 0,1% marcou a opção “outra”. Os que se declaram heterossexuais representam 84,7% dos respondentes.

 
Fonte: Fetec-CUT/CN

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