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14 de Novembro de 2017 às 08:02

Recife sedia IV Fórum pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro


Para fortalecer o debate sobre a construção da igualdade racial nos bancos, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com o apoio da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste (Fetrafi/NE) e do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, iniciou na quinta-feira (9), o IV Fórum pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, no Recife (PE).

Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, afirmou que este tipo de evento fortaleceu o debate sobre o tema, que já tem sido pautado constantemente nas mesas de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). "Aqui tivemos a oportunidade reunir todos os sindicatos e federações para juntos construirmos uma pauta específica de reivindicações.”

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A palestra de abertura, proferida pelo filósofo e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Ronaldo Barros, abordou questões sobre o racismo, a divisão racial do trabalho e as desigualdades históricas. Forjado na escola marxista, Barros defendeu que “a desigualdade econômica é também desigualdade racial”. Segundo o professor, ainda hoje, as regiões mais ricas do país são predominantemente brancas.

O palestrante destacou, oportunamente, que a baixa representatividade dos negros na Câmara Federal e no Senado se reflete no aprofundamento das desigualdades e aponta caminhos. “São as políticas públicas afirmativas e as mudanças constitucionais que aparecem como soluções para dirimir o nível de desigualdade estrutural que existe no Brasil”, afirmou.

Militante do movimento negro, Zé de Oliveira discutiu a ausência do negro no mercado de trabalho e fez críticas ao 'embranquecimento' da academia. “Toda a situação da classe trabalhadora começa há 129 anos com a assinatura da Lei Áurea. O que houve naquele momento foi uma falsa abolição, porque nós continuamos escravos do capital especulativo”, avaliou.

Na visão da secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano, as perspectivas trazidas pela academia e pela militância confirmam que mesmo com a abertura de espaços para a população negra, ainda é preciso avançar bastante para minimizar as desigualdades. “A discussão da invisibilidade negra no sistema financeiro começou desde que foi desenhado o 'rosto do bancário' com o resultado do Censo da Diversidade -2014. Nós vimos que o negro não existe no sistema financeiro como funcionário, principalmente, nos cargos de chefia. O debate de hoje é fundamental para subsidiar as propostas que iremos apresentar na sexta (10) para a minuta da categoria”, destacou.

Além de Sandra Trajano, participam do evento a secretária da Mulher do Sindicato, Eleonora Costa, e o diretor da entidade, Rubens Nadiel. “É muito importante estarmos unidos neste fórum para abrir os olhos da categoria sobre a invisibilidade negra no sistema financeiro. Os negros devem ser vistos como pessoas com capacidades como todas as demais, contudo, assegurar oportunidades equânimes é fundamental para reduzir as desigualdades raciais”, pontuou Eleonora.

A programação seguiu durante a tarde com a análise dos dados do Censo da Diversidade – 2014 e da Relação Anual de Informações Sociais - 2016; e palestras sobre racismo e discriminação no trabalho; conquistas históricas e retrocessos no governo golpista; impactos da reforma trabalhista para a população negra; e os avanços das políticas afirmativas do governo Lula.

Nesta sexta-feira (10), os participantes irão avaliar os pontos de combate ao racismo do marco legal das entidades e debater seus desafios e compromissos no combate à discriminação racial.

Fonte: Contraf-CUT, com SEECPE


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