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7 de Fevereiro de 2018 às 17:39

Planalto tenta comprar apoio de influenciadores na web para defender reforma e é rejeitado


Poder360
Eduardo Barretto e Douglas Pereira

Pelo menos 3 usuários do LinkedIn que possuem 1 número alto de seguidores disseram ter sido procurados pelo governo nos últimos dias para defender a reforma da Previdência. Flavia Gamonar (673 mil seguidores), Murillo Leal (255 mil seguidores) e Matheus de Souza (86 mil seguidores) relatam ter declinado a proposta.

Professora de pós-graduação da Universidade Estadual Paulista, Flavia afirmou na rede social que ela poderia “cobrar o que quisesse” que o governo bancaria. “Há valores que compram carros e viagens incríveis, mas nenhum paga o compromisso com quem você é e o que acredita, com dormir com a consciência tranquila”, escreveu.

“Não me sinto confortável em falar de um assunto que não domino, nem em receber dinheiro público para isso”, disse Flavia ao Poder360. Ela ressaltou que a abordagem do governo foi “natural”. 

 

Publicação de Flavia Gamonar no LinkedIn

Considerado o 3º brasileiro mais influente no LinkedIn em 2016, o colunista Matheus Souza também relata o contato do governo federal: “Ontem[6.fev.2018] acordei com um “convite” do Governo Federal para falar (bem) da Reforma da Previdência”. E emenda: “Posso listar uma série de fatores que me fizeram dizer ‘não’.” 

“Eu só trouxe isso a público porque, óbvio, estamos falando de dinheiro público. Então quis mostrar para quem me acompanha essa questão de valores (não financeiros)”, disse Souza ao Poder360.

Publicação de Matheus de Souza no LinkedIn

Outro procurado foi Murillo Leal, jornalista e palestrante. “Diziam representar a parte publicitária do governo. Era um “convite” do Governo Federal. Sendo influenciador aqui, queriam que eu escrevesse (positivamente) sobre a reforma da Previdência”, escreveu Murillo na rede social.

“Recebo sempre propostas de publi [publicidades em posts] e acreditava ser só mais uma, mas por falta de interesse da minha parte, não fechamos”, relatou ao Poder360.

Publicação de Murillo Leal no LinkedIn

OUTRO LADO

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que a prática é “comum”, mas negou ter autorizado os contatos a usuários do LinkedIn.

Leia a íntegra da nota da Presidência:

“É uma prática comum do mercado de comunicação utilizar-se de porta-vozes para transmitir mensagens à sociedade. 
Também é pratica usual de empresas que oferecem esse tipo de serviço, atuarem proativamente e apresentarem propostas comerciais a marcas e governos. Para isso, consultam antecipadamente, os possíveis contratados, para saber de sua disponibilidade em participar ou não com tais depoimentos.
O Governo não solicitou os contatos aos usuários do Linkedin e a proposta apresentada não foi autorizada.”

A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO

O governo ampliou neste semana sua campanha nas redes sociais e na TV pela reforma da Previdência. Publicou na 2ª feira uma série de vídeos para tentar “viralizar” uma onda a favor proposta na internet. Nas peças, pessoas com aparência humilde e até com dentes faltando dizem que o Norte e o Nordeste vão sofrer sem a reforma.

O Planalto também veiculou no início da semana uma propaganda que copia o comercial do Posto Ipiranga.

Michel Temer ainda não tem os votos necessários para aprovar a emenda constitucional. A medida foi enviada ao Congresso há mais de 1 ano e já foi fortemente desidratada, na tentativa de conseguir o apoio de congressistas.

O relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), apresentou nesta 4ª  feira (7.fev.2018) o novo texto do projeto. O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), trabalha com a data limite de 28 de fevereiro para aprovar a proposta.


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