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13 de Fevereiro de 2018 às 09:29

Bancos temem concorrência de 'big tecs'


Crédito: Reuters

Financial Times
Na Folha de São Paulo

O ingresso das grandes empresas de tecnologia no setor bancário ameaça a estabilidade financeira, e os maiores grupos de tecnologia norte-americanos e chineses deveriam estar sujeitos à mesma regulamentação que os grandes bancos, de acordo com importantes líderes do setor financeiro europeu.

Francisco González, presidente do conselho do banco espanhol BBVA, foi um dos que soltaram o alerta. Para ele, empresas como Facebook e Amazon, dos EUA, e Alibaba e Tencent, da China, "substituirão muitos bancos".

Ele apelou a um órgão mundial como o G20 (grupo de 20 grandes economias) por providências, declarando que as autoridades precisavam "colocar ordem nessa imensa mudança", que poderia "acarretar riscos para a estabilidade financeira".

Os bancos estarão em desvantagem diante de competição cada vez mais intensa das grandes de tecnologia, por conta da disparidade na regulamentação dos dois setores, disse González, acrescentando que, "se eu preciso de capital para emprestar, que as mesmas regras valham para todos --para as gigantes da internet também".

Tendo experimentado no ramo dos serviços financeiros por alguns anos, as grandes empresas de tecnologia agora estão aprofundando suas atividades no setor.

A Amazon está fornecendo serviços de pagamentos e empréstimos a comerciantes que usam sua plataforma, e o Facebook recentemente obteve licença para operar com dinheiro eletrônico na Irlanda.

Alibaba e Tencent se tornaram as operadoras dominantes no setor de pagamentos eletrônicos da China, que movimenta US$ 5,5 trilhões por ano.

Ralph Hamers, presidente-executivo do banco holandês ING, disse que novos regulamentos europeus quanto a "serviços bancários abertos" haviam aberto as portas do mercado para as grandes empresas de tecnologia.

"Isso representa ameaça para os bancos, porque essas empresas têm muito mais dinheiro para queimar", disse.

"Se elas obtiverem esses dados, completarão o círculo, porque no momento não dispõem de dados transacionais sobre o que as pessoas compram", ele acrescentou.

"Como sociedade, deveríamos pensar sobre essa concentração de poder."

CRÍTICAS

As grandes empresas de tecnologia vêm sendo criticadas por diversas coisas, recentemente --manobras para evitar impostos, comportamento que restringe a competição, publicação de conteúdo extremista e por terem facilitado a interferência da Rússia em eleições.

"Há certamente um clima que diz que essas empresas precisam assumir mais responsabilidade por seu conteúdo, serviços e pelos dados de que elas dispõem sobre as pessoas", disse Bruce Carnegie-Brown, presidente do conselho do Lloyd's, o mercado de seguros de Londres.

"Creio que chegamos a um ponto de inflexão, quer estejamos falando da Amazon, quer do Facebook, quer de segurança cibernética e proteção de dados", afirmou Carnegie-Brown, que também é vice-presidente do conselho do banco Santander e presidente do Moneysupermarket.com, um site britânico de comparação de preços.

"Deveríamos estar pensando em como fiscalizá-los em nível internacional."

González, que vai se aposentar do BBVA no ano que vem, disse que hoje bancos respondem por tudo que aconteça nos bancos. "Esse mesmo nível de responsabilidade precisa ser aplicado às plataformas que as gigantes da internet estão criando, e para isso precisamos de uma arquitetura legal completamente diferente".

Google, Amazon e Microsoft hospedam proporção cada vez maior dos dados financeiros do planeta em suas divisões de computação em nuvem. E porque os bancos querem automatizar mais de suas operações, usando inteligência artificial, eles dependerão ainda mais das grandes empresas de tecnologia.

"Os provedores [de serviços de inteligência artificial] serão as grandes companhias de plataforma --Google, Amazon e Alibaba. Isso significa que haverá risco sistêmico em torno dessas empresas?", questionou Richard Lumb, que comanda a área de serviços financeiros na consultoria Accenture.


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