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5 de Dezembro de 2017 às 09:59

Banco do Brasil não tem direção pública


Por Eduardo Araújo - Brasil 247

De janeiro a setembro de 2017, o Banco do Brasil fechou 2.007 pontos de atendimento em todo o país (de 17 mil para 15 mil), dos quais 559 agências, e cortou 9.854 postos de trabalho (de 109 mil para 99 mil), reduzindo o alcance da rede de atendimento à população.

Nos últimos 12 meses (setembro de 2016 a setembro de 2017, último balanço trimestral), os ativos totais do banco encolheram 3,3%, a carteira de crédito ampliada foi reduzida em 7,9% e as receitas com operações de crédito caíram 13,7%.

As operações de crédito com pessoas físicas ficaram inalteradas e as operações com pessoas jurídicas sofreram uma queda de 13,5% nos 12 meses que separam os terceiros trimestres deste ano ao de 2016.

O Banco do Brasil, que na crise financeira global de 2008 atuou com grande êxito como uma verdadeira instituição pública para reduzir a taxa de juros e ampliar o crédito empossado pelos bancos privados, está à deriva. Assim como o Brasil de Temer, o BB vagueia hoje sem rumo, sem estratégia de ação e sem direção.

O maior e mais antigo banco brasileiro rendeu-se à lógica dos bancos privados, copiando destes até as mesmas estruturas para visar unicamente o resultado financeiro. Foi assim que o BB apresentou lucro líquido ajustado de R$ 7,9 bilhões nos nove primeiros meses de 2017, crescimento de 45,1% em doze meses, graças sobretudo ao aumento das rendas de tarifas e redução da despesa de provisão.

Como resultado da imposição de um modelo de gestão replicado dos concorrentes privados, o clima organizacional nunca foi tão ruim.

As reestruturações contínuas criaram um verdadeiro clima de terror nas agências e departamentos e um campo fértil para a multiplicação de boatos assustadores. A pressão e as ameaças para cumprimentos de metas extemporâneas atingem indistintamente todos os níveis na hierarquia do banco, dos gerentes aos caixas. Os descomissionamentos viraram rotina e o futuro profissional totalmente incerto.

A degeneração nas relações de trabalho no BB resultou numa epidemia de adoecimentos em todo o país. Mas em sua lógica de redução de custos e aumento do lucro o banco destrói as relações com os clientes, forçando-os a migrarem para estruturas digitais, coloca os trabalhadores em situações de aumento de risco de saúde a médio e longo prazo e ainda tenta romper até seu compromisso com a sustentabilidade da Caixa de Assistência (Cassi).

A situação do BB piorou muito depois de 2016, tanto internamente na relação com os funcionários como em seu escopo de atuação comercial. Não se pensa mais o banco de forma estratégica de longo prazo como um importante instrumento para o desenvolvimento econômico e social do país. Apenas na geração de lucros e superávit para competir e ser atraente para o "mercado".

Tudo isso é reflexo de um governo ilegítimo e impopular que não foi eleito e não precisa prestar contas à sociedade, mas apenas ao grande capital nacional e internacional, capitaneado pelo mercado financeiro, que agora exige como contrapartida a imposição de sua agenda: enxugamento do Estado, privatizações, redução dos programas sociais, retirada de direitos dos trabalhadores, entrega das riquezas nacionais.

O Banco do Brasil segue assim uma rota do Brasil de Temer rumo ao atraso, à insignificância geopolítica, à subserviência à grande potência e ao grande capital – cada vez mais distante do sonho de construção de um país desenvolvido, com justiça social, digno e soberano.


(*) Eduardo Araújo é presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília

Veja a íntegra no portal Brasil247.


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