Notícias

home » notícias

30 de Maio de 2022 às 09:47

Vitória do Pacto Histórico na Colômbia fortalece luta dos trabalhadores na América Latina


Cleiton dos Santos Silva

Uma ótima notícia vem da Colômbia e por isso queremos parabenizar os trabalhadores e trabalhadoras daquele país pelo resultado da eleição presidencial deste domingo 29 de maio. Como as pesquisas apontavam, o candidato progressista do Pacto Histórico, Gustavo Petro, venceu o primeiro turno com 40,32% dos votos. Ele vai enfrentar na segunda volta, em 19 de junho, o direitista populista Rodolfo Hernández, que teve 28,15% e surpreendentemente ultrapassou na reta final o candidato governista de direita Federico Gutiérrez (23,91%).

Ex-prefeito de Bogotá, onde fez uma gestão exemplar premiada pela ONU, o hoje senador Petro tem origem política no M-19, o antigo movimento guerrilheiro que na década de 1990 depôs as armas e passou a atuar na política institucional da Colômbia. Ele tem como colega de chapa à vice-presidência a líder feminista, antirracista e militante ambiental Francia Márquez.

Se Gustavo Petro confirmar o favoritismo, o terceiro maior país da América do Sul terá pela primeira vez na história um governo de esquerda.

A Colômbia tem um histórico de violência política que supera os padrões já violentos do continente. As oligarquias conservadoras que governam o país de Gabriel Garcia Marques desde os tempos coloniais, nas últimas décadas com o apoio dos paramilitares de extrema-direita, nunca permitiram a ascensão de partidos políticos progressistas e dos movimentos sindicais e sociais – frequentemente combatidos a bala.

Foi essa falta de perspectiva de atuação política institucional que empurrou vários setores da esquerda colombiana para a luta armada. Só para se ter uma ideia, houve mais de 3 mil assassinatos de lideranças políticas, sindicais e de militantes sociais na Colômbia somente desde o acordo de paz de 2016 entre o governo e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), quando o principal grupo guerrilheiro do país depôs as armas e fez o pacto – aliás, com a ajuda de Gustavo Petro – para se tornar um partido político.

Isso significa uma Marielle Franco por dia desde o acordo de paz.

A violência política aumentou desde o início do atual processo eleitoral, levando à condenação por parte de instituições internacionais de defesa dos direitos humanos. Foi para se solidarizar com os trabalhadores colombianos e fiscalizar as eleições parlamentares que o Fórum Internacional #PazVidaDemocracia, organizado pelas principais centrais sindicais de todo o mundo, enviou à Colômbia 150 ativistas dos movimentos sindical e social de todo o mundo no último mês de março.

A Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT) participou dessa delegação internacional, organizada no continente pela UNI Américas, no Brasil pela CUT e na categoria bancária pela Contraf-CUT. Durante quase um mês, eu e os diretores da Fetec Edson Gomes (secretário de Bancos Públicos) Edson Gomes, Samuel Bastos (o presidente do Sintraf Amapá) e Everton José Gaeta Espíndola (secretário de Relações Sindicais do Seeb Campo Grande) percorremos a Colômbia nos reunindo com dirigentes sindicais de várias categorias, levando a solidariedade dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

Hoje temos a convicção de que somente a vitória de Gustavo Petro e do Pacto Histórico poderá levar a paz à Colômbia, vencer o medo, unificar o país e implementar uma política econômica que promova desenvolvimento com distribuição de renda e justiça social.

A vitória de Petro, que temos certeza será seguida pela eleição de Lula no Brasil, também favorecerá uma mudança na geopolítica da América Latina, abrindo uma rara oportunidade para os povos do continente construírem a tão sonhada unidade política e econômica. O que é imprescindível para enfrentar o imperialismo e superar os obstáculos que impedem o pleno desenvolvimento econômico e socioambiental da América Latina.

 

Cleiton dos Santos Silva é presidente da Fetec-CUT/CN


Notícias Relacionadas