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21 de Novembro de 2020 às 09:23

Sindicato grita “Fora, Sérgio Camargo” em ato pelo Dia da Consciência Negra


A manhã desta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, foi marcada por uma importante manifestação político-cultural. Contra o racismo e em defesa das vidas e da história do povo negro brasileiro, o Sindicato se uniu a diversas entidades, organizações e parlamentares para celebrar a data e repudiar as ações de reprodução do racismo cometidas pelo atual presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo. O ato foi transmitido ao vivo pelo canal do Sindicato no Youtube.

 

Enquanto exaltavam a vida e a herança de Zumbi dos Palmares para o povo negro brasileiro, dezenas de pessoas gritaram “Fora, Sérgio Camargo” com cartazes estampados com rostos de ícones negros. A fundação excluiu grandes personalidades negras, como Elza Soares, Benedita da Silva, Zezé Motta e Gilberto Gil, do seu rol de referências negras do Brasil.

A estratégia da atual gestão da Palmares segue a lógica racista do governo Bolsonaro, que violenta de várias formas o povo negro, desde o físico até a história dos negros brasileiros. “A Fundação Cultural Palmares está tentando tirar uma lista de heróis do povo porque eles não são herois do governo. Tentam apagar essa parte da história para substituir pela realidade deles porque eles sabem que, na verdade, é esse governo que será apagado da nossa história muito em breve”, destaca o secretário de Combate à Discriminação do Sindicato, Edson Ivo.

Representante da entidade na articulação desta atividade, Edson lembra ainda que, “Enquanto a atual gestão da Fundação Cultural Palmares cruza os braços, o povo ergue os punhos”.

Confira aqui a nota de repúdio ao presidente da Fundação Palmares

Para o presidente do Sindicato, Kleytton Morais, “é sempre uma grande oportunidade celebrar nossas raízes. Nós, negros e negras, indígenas e quilombolas, temos prestado uma enorme contribuição política e econômica para as Américas. Estar aqui hoje é reconhecer isso e, ao mesmo tempo, beber dessa energia e desse entendimento. O povo negro e a contribuição da diáspora africana souberam reverter um processo muito doloroso em processos de colaboração e construção humanitária”.

Justiça por Beto

Além do repúdio à reprodução do racismo por Sérgio Camargo, o ato foi marcado por protestos contra o assassinato de João Alberto na noite dessa quinta-feira (19). Horas antes do dia dedicado às celebrações das heranças africanas, João foi brutalmente atacado por seguranças do Carrefour em Porto Alegre. O grupo de manifestantes terminou o ato em frente a uma unidade do supermercado na 402 Sul.

Secretário de Assuntos Parlamentares do Sindicato, Ronaldo Lustosa destacou que “é mais uma denúncia de assassinato motivado pelo racismo. É mais um homem negro vítima da violência. Queremos justiça por Beto e por todas as pessoas negras assassinadas por este governo racista”.

O secretário de Saúde da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN), Wadson Boaventura, também participou da atividade. “Não aceitaremos que homens e mulheres negros sejam violentados. Não arredaremos o pé até que tenhamos justiça”, destacou Wadson.

Artistas negros na luta

As apresentações culturais de artistas negros fortaleceram as atividades. Rapper reconhecido nacionalmente, GOG fez uma fala emocionada. “O rap brasileiro nasce periférico e se situa neste lugar. Mas, acima de tudo, a grande descoberta do rap foi se entender como espaço negro. Hoje, eu sou um negro periférico e não um periférico negro, como eu era no início da minha carreira. É preciso caminhar nessas estradas”, destaca o artista.

Joanna Alves
Do Seeb Brasília


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