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4 de Dezembro de 2020 às 08:00

Menos saúde, mais veneno neste 2020 que abriu as porteiras para os agrotóxicos


CUT Nacional

Neste 3 de dezembro, Dia Mundial de Luta contra os Agrotóxicos, os organizadores da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, divulgaram nota reafirmando a luta pela vida.

O texto recorda “os 36 anos da tragédia de Bhopal, na Índia", o maior crime industrial da história, quando o vazamento de uma fábrica de agrotóxicos da Union Carbide provocou a morte imediata de quase 8 mil pessoas, deixando outras milhares intoxicadas. Trazemos à memória todas as pessoas vitimadas pelo uso de venenos agrícolas”.

Também nesta quinta-feira (3), às 19h, estreia o documentário Bhopal 84, no canal do Brasil de Fato no Youtube

As entrevistas do documentário, realizadas pelos jornalistas brasileiros Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida na Índia, mostram a perversidade daquele crime e os desafios da luta por justiça, relata o BdF. Vítimas e ativistas ressaltam que as indenizações pagas pela empresa foram irrisórias e que o vazamento em Bhopal é um emblema da busca incessante das transnacionais por lucro, sacrificando vidas humanas e poluindo o meio ambiente no Sul global.

Estão previstos atos em diversas partes do mundo para relembrar o maior crime da historia cometido por uma empresa que ainda não foi devidamente responsabilizada, relata a RBA.

Agrotóxicos liberados em 2020

Até o dia 27 de novembro, o Ministério da Agricultura já havia liberado 405 agrotóxicos para o uso dos agricultores só em 2020.

Desde 2005, quando o governo começou a compilar os dados de registro de pesticidas, 2020 perde apenas para 2019 – ano em que o país teve liberação recorde de agrotóxicos.

Em 2019, foram liberados 474 agrotóxicos, sendo 26 inéditos e 448 baseados em princípios ativos ou produtos já existentes. Do total, 40 são defensivos biológicos e orgânicos.

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

É por isso que a campanha Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida não parou nem durante a pandemia do novo coronavírus. As ações continuaram por meio de debates virtuais, cumprindo as determinações das autoridades da área da saúde que recomendaram isolamento social como forma de conter a disseminação do vírus.

Nesse período de quarentena, os organizadores elaboraram documentos, articularam com os movimentos, as entidades e  parlamentares, “resistindo e avançando no poder da conscientização e mobilização social, fortalecendo a agroecologia como prova de que outro modelo de produção agroalimentar e de vida saudável não é somente é possível como também é mais do que nunca necessário”, diz trecho da nota.

De acordo com a nota divulgada nesta quinta, assim que as condições sanitárias permitirem, os organizadores da campanha voltarão com os processos formativos, as plenárias e trocas de experiências nos territórios. “Até lá, no site e redes sociais da Campanha seguiremos disponibilizando conteúdos que mantenham a vigilância popular em torno dos agrotóxicos. Nesse sentido, organizamos um material com algumas das batalhas que travamos, ao longo do ano, no nosso país em relação ao uso de agrotóxicos”, conclui o documento.


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